
Uma empresa de marketing que vive de mandar mensagem pra consumidor final decidiu jogar fora o próprio nome. E não foi só o nome. Foi o jeito de cobrar também.
Segundo o Meio & Mensagem, a Netcore Cloud passou a se chamar Netcore.ai e está reposicionando toda a operação. A empresa, que trabalhava vendendo disparo de mensagens pra marcas que vendem direto pro consumidor (o famoso B2C), agora quer ser vista como uma plataforma de agentes de IA. E junto com essa mudança de identidade veio uma provocação direta ao mercado: o modelo de precificação SaaS tradicional, aquele que cobra por assento, por usuário ou por volume fixo de mensagens, não faz mais sentido quando o produto é IA.
O que aconteceu de verdade
Deixa eu traduzir isso sem o verniz de press release. A Netcore.ai parou de se vender como “ferramenta de envio de mensagem” e passou a se vender como “camada de agentes que trabalham sozinhos pra reter e engajar cliente”. Isso é uma mudança de categoria, não só de nome.
E quando você muda de categoria, o jeito de cobrar tem que mudar junto. Cobrar por mensagem enviada fazia sentido quando o valor entregue era “eu mandei o disparo pra você”. Mas se agora o produto é um agente que decide sozinho quando falar com o cliente, quando não falar, e ainda otimiza a jornada inteira, cobrar por volume de disparo virou uma métrica errada. O Meio & Mensagem trouxe essa mudança como o centro do reposicionamento, e faz todo sentido: a empresa está tentando alinhar o preço com o resultado que ela realmente entrega hoje.
Isso não é exclusividade da Netcore. É um movimento que várias empresas de SaaS com IA embutida estão fazendo em 2026. O modelo de precificação SaaS que dominou a última década, aquele de assinatura fixa mensal por usuário, está rachando na base. Porque IA não escala como software tradicional escala.
Por que isso importa pro seu negócio digital
Se você vende infoproduto, curso, mentoria, ou roda qualquer operação digital que usa ferramentas de automação e IA no dia a dia, presta atenção nisso: as ferramentas que você usa hoje vão mudar de preço nos próximos meses. E não vai ser reajuste de inflação, não. Vai ser mudança de modelo.
Empresa que cobrava por usuário vai passar a cobrar por resultado, por uso de IA, ou por valor gerado. Isso pode ser ótimo pra você, se você é um negócio pequeno que usa pouco. Ou pode ser péssimo, se você escala rápido e o consumo de IA dispara junto.
Eu já vi isso de perto no Freesider. Quando a gente monta automação com IA pros nossos processos internos e pros alunos do Freesider PRO, o primeiro erro que todo mundo comete é pensar que o custo vai ser fixo igual era com software tradicional. Não vai. IA consome token, consome processamento, consome tempo de agente rodando. Se a ferramenta que você usa migra pra um modelo de precificação SaaS baseado em uso ou resultado, o seu custo operacional pode virar de cabeça pra baixo do dia pra noite.
Como usar isso na prática, já
Não adianta só ler a notícia e achar curioso. Faz isso essa semana:
- Revisa todo contrato de SaaS que você tem hoje e marca quais já mencionam “IA”, “agente” ou “automação inteligente” na descrição do plano. Esses são os candidatos a mudar de modelo de precificação SaaS nos próximos meses.
- Pergunta pro suporte de cada ferramenta se existe plano de migração de preço previsto. Empresa séria avisa com antecedência, igual a Netcore.ai fez publicamente.
- Simula o seu custo num cenário de cobrança por uso. Se hoje você paga fixo e amanhã passa a pagar por token ou por ação de agente, o que aconteceria com a sua margem?
- Se você vende algo com IA embutida pros seus próprios clientes, já pensa no seu modelo de precificação SaaS agora. Não espera o mercado te empurrar pra reação.
Isso vale demais pra quem constrói produto próprio. Se você tem uma automação, um agente, um sistema que usa IA pra atender cliente ou gerar conteúdo, e ainda cobra mensalidade fixa igual assinatura de Netflix, talvez você esteja deixando dinheiro na mesa. Ou pior, talvez esteja subsidiando o cliente que mais usa IA, enquanto o cliente que usa pouco paga a mesma coisa.
Minha opinião
Eu acho essa mudança da Netcore.ai corajosa e, mais importante, inevitável. Empresa de tecnologia que insiste em manter modelo de precificação SaaS antigo enquanto vende produto novo baseado em IA está com um pé no passado. Cedo ou tarde o mercado corrige isso, ou pela concorrência, ou pela pressão de margem.
Mas também não vou fingir que é tudo lindo. Cobrança baseada em uso ou resultado pode virar uma armadilha pra empresa que faz isso só pra parecer moderna, sem repensar de verdade o que está entregando. Trocar nome, trocar discurso e manter o produto raso por dentro é só marketing. O que vai definir se a Netcore.ai acertou é se o agente de IA dela realmente entrega retenção e engajamento melhor que antes. Se entregar, o novo modelo de precificação SaaS se paga sozinho. Se não entregar, é só um preço mais complicado de entender.
Pra quem empreende no digital, o recado é simples. Não terceiriza sua estratégia de preço pro fornecedor de ferramenta. Entende como cada SaaS que você usa está migrando o modelo de cobrança, calcula o impacto disso no seu bolso, e se você mesmo vende algo com IA, já constrói seu preço pensando em valor entregue, não em assento de usuário. Quem entender isso primeiro sai na frente. Quem só descobrir na fatura vai correr atrás o resto do ano.
Modelo de precificação SaaS baseado em usuário morreu junto com a era do software que só armazenava dado. Agora o produto pensa, decide e age. E preço de coisa que age tem que refletir o que ela faz, não quantas pessoas fazem login.
Pra quem quiser entender os detalhes do reposicionamento, tem uma matéria original no Meio & Mensagem cobrindo o caso com mais profundidade.
Quer usar IA pra acelerar seu negócio digital?
Eu traduzo tecnologia em aplicação prática todo dia. Se você quer entender como usar essas novidades pra ganhar tempo e escalar seu negócio, vem pro Freesider PRO.