
Um cara vende a empresa que fundou, monta uma agência, e alguns anos depois essa agência é comprada pela mesma pessoa com quem ele trabalhou décadas atrás. Isso não é roteiro de filme, é a notícia que saiu ontem sobre a Klaviyo comprando a agência de Elias Torres. E o motivo pelo qual eu tô escrevendo sobre isso aqui no Freesider é simples: essa história mostra exatamente como funciona a cabeça de um empreendedor em série de verdade.
O que aconteceu
Segundo o TechCrunch AI, a Klaviyo, plataforma de e-commerce e marketing, acabou de comprar a agência fundada por Elias Torres. O detalhe que dá o tom “reencontro” pra história é que Torres já tinha ligação anterior com os fundadores da Klaviyo, e agora ele entra na empresa como CPO, o chefe de produto, com uma missão bem clara: liderar os agentes de IA da companhia.
Elias Torres não é um nome qualquer no mundo das startups. Ele é conhecido por ter fundado outras empresas antes, o tipo de fundador que constrói, vende, e já tá pensando no próximo projeto antes mesmo de terminar de comemorar a saída do anterior. Um empreendedor em série clássico. A diferença aqui é que o “próximo projeto” virou, na prática, um retorno pra dentro de uma empresa que ele já conhecia de outra vida.
A publicação do TechCrunch AI destaca esse aspecto de “círculo completo”, como se o mercado de tecnologia fosse menor do que parece. E de fato é. Quem fica muito tempo empreendendo esbarra nas mesmas pessoas em ciclos diferentes, só que com mais experiência acumulada dos dois lados da mesa.
Por que isso importa pro empreendedor digital
Eu sei que você não é dono de uma agência sendo comprada por uma empresa de bilhões de dólares. Mas presta atenção no padrão de comportamento, porque é isso que interessa.
Primeiro ponto: o Torres não ficou parado esperando a próxima grande ideia cair do céu. Ele criou uma agência, um negócio de serviço, enquanto pensava no próximo movimento. Isso é o oposto de ficar romantizando “o próximo unicórnio” e travar de ansiedade. Um empreendedor em série faz movimento constante, mesmo em formatos menores, mesmo que pareça um “degrau” abaixo da última empresa grande que ele teve.
Segundo ponto, e esse é o que mais me chama atenção: ele foi contratado especificamente pra tocar IA aplicada dentro da empresa. Não é cargo decorativo, é liderar agentes de inteligência artificial numa plataforma que já tem milhões de usuários. Isso confirma algo que eu já falo faz tempo aqui no Freesider: quem entende de IA aplicada a negócio virou o recurso mais disputado do mercado, seja você contratado, seja você vendendo consultoria, seja você rodando sua própria operação.
Terceiro ponto, e talvez o mais importante pra quem lê o Freesider: relações que você constrói hoje voltam. A Klaviyo comprou a agência de Torres porque já existia confiança, histórico, network. Isso não se compra do dia pra noite. Isso se constrói entregando resultado, ano após ano, com as mesmas pessoas ou pessoas próximas a elas.
Como usar isso na prática
Vamos ao que interessa: o que você faz com isso amanhã de manhã.
- Pare de tratar cada projeto como “a última cartada”. Um empreendedor em série trata cada negócio como um capítulo, não como o livro inteiro. Isso tira peso emocional da decisão e te deixa mais rápido pra testar, ajustar e sair quando não funciona.
- Se você presta serviço (agência, consultoria, mentoria), comece a tratar IA aplicada como parte do produto principal, não como um “diferencial” no rodapé da proposta. É isso que fez a diferença na contratação do Torres: ele não foi chamado pra fazer marketing, foi chamado pra liderar agentes de IA.
- Cuide das relações profissionais como ativo de longo prazo. Aquele cliente antigo, aquele sócio de projeto que deu certo ou até que terminou mal mas de forma profissional, pode voltar em outro formato daqui a cinco anos. Rede boa não é sobre quantidade de contato no WhatsApp, é sobre reputação que sobrevive ao tempo.
- Documente o que você aprende em cada ciclo. Um empreendedor em série de sucesso não repete os mesmos erros porque tem memória estruturada do que funcionou e do que não funcionou. Aqui no Freesider a gente chama isso de inteligência coletiva: cada experiência vira ativo, não vira história pra contar em happy hour e esquecer.
Minha opinião
Eu gosto dessa notícia porque ela desmonta um mito que atrapalha muito empreendedor digital: a ideia de que você precisa escolher entre “ser dono do próprio negócio pra sempre” ou “voltar a trabalhar pra alguém e admitir derrota”. Isso é falso. O Elias Torres construiu, vendeu, montou agência, e agora tá dentro de uma empresa grande liderando exatamente a área mais quente do mercado. Isso não é derrota, é estratégia de empreendedor em série que entende que carreira não é linha reta, é espiral.
Empreendedorismo saudável não é nunca trabalhar pra ninguém. É ter liberdade pra escolher onde você entrega mais valor em cada fase da sua vida.
O que me incomoda em muita conversa que eu tenho com aluno do Start Digital e membro do Freesider PRO é essa pressão de “ou eu sou 100% independente ou eu falhei”. Balela. Se amanhã aparecer uma oportunidade de liderar um projeto de IA dentro de uma empresa maior, com equity, com impacto real e com liberdade de execução, por que recusar só por orgulho de “não voltar a ter chefe”? O jogo mudou. Hoje um empreendedor em série pode ser CPO de uma empresa gigante e continuar sendo dono do próprio jogo, porque a decisão foi dele, no tempo dele, pelo motivo dele.
O que eu levo dessa história pro nosso ecossistema é reforçar uma coisa que a gente já vem falando: IA aplicada não é mais “recurso bacana pra ter no negócio”. É o centro da decisão de contratação, de aquisição, de valuation. Se você ainda tá tratando ferramenta como AiPost ou automação de IA como coisa acessória no seu negócio, você tá jogando no century errado. Quem entende IA de verdade, aplicada a resultado, vira ativo tão valioso que empresas bilionárias fazem aquisição inteira só pra ter essa pessoa dentro de casa.
No fim das contas, a lição do Torres pra qualquer empreendedor em série que lê o Freesider é essa: continue construindo, continue testando formatos diferentes, e não tenha medo de fechar um ciclo pra abrir outro, mesmo que pareça “voltar atrás”. Às vezes voltar é a forma mais inteligente de ir pra frente. Se quiser entender melhor a matéria original, dá uma olhada na matéria original no TechCrunch AI.
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