
Todo ano alguém anuncia que o Cannes Lions vai virar uma conferência de tecnologia disfarçada de festival de criatividade. E todo ano o festival responde do jeito mais simples possível: premiando ideias que te dão arrepio.
Em 2026 não foi diferente. O matéria original no Meio & Mensagem capturou bem esse clima: a programação chegou carregada de painéis sobre IA, prompts e dados, com um tom quase técnico demais para um evento que nasceu pra celebrar o melhor da comunicação humana. Parecia que iam transformar o festival numa hackathon com rosé.
Mas não transformaram. E isso me diz muito sobre o debate de criatividade humana vs IA que a gente tem todo dia aqui no Freesider.
O que o Cannes de 2026 mostrou de verdade
Segundo o Meio & Mensagem, o festival começou com aquele cheiro frio de evento corporativo de tech. Muita coisa sobre inteligência artificial, muita promessa de eficiência, muito painel mostrando ferramenta nova.
Só que, no fim, o que ganhou Leão continuou sendo o que sempre ganhou: ideias que conectam com o ser humano de forma inesperada. O tipo de coisa que você vê e pensa “por que ninguém tinha feito isso antes?”
A IA estava lá. Mas como ferramenta. Não como autora.
Por que isso importa pro empreendedor digital
Você pode estar pensando: “Fagner, isso é coisa de publicitário de agência grande. O que tem a ver comigo?”
Tem tudo a ver.
Quem vende online, cria conteúdo, monta oferta, escreve e-mail ou grava vídeo está no mesmo jogo de criatividade. A diferença é que você não tem equipe de 30 pessoas e orçamento de multinacional. Você tem você, talvez um time pequeno, e as ferramentas certas.
E o debate de criatividade humana vs IA bate na sua porta toda semana quando alguém pergunta: “Mas se a IA escreve tudo, o que você faz?”
O Cannes de 2026 respondeu isso de bandeja. A IA escreve. Mas quem decide o quê faz sentido dizer, pra quem, e de que jeito, ainda é gente.
O erro que eu vejo todo dia
Muita gente chegou pra IA esperando que ela resolvesse o problema de não saber o que comunicar. Aí abriu o ChatGPT, pediu “escreva um post sobre meu produto” e ficou insatisfeito com o resultado.
Claro que ficou. A ferramenta não sabe quem é você. Não sabe o que você acredita. Não sabe o que sua audiência sente quando lê suas palavras de madrugada, buscando uma saída.
A criatividade humana vs IA não é uma competição. É uma divisão de papéis. E o erro é deixar a IA assumir o papel que só você pode desempenhar: ter um ponto de vista.
A IA acelera quem já sabe o que quer dizer. Ela não substitui quem ainda não descobriu o que tem a dizer.
Isso é o que o Cannes Lions 2026 confirmou, na prática, com troféus de ouro na mão.
Como usar isso na prática amanhã
Antes de abrir qualquer ferramenta de IA pra criar conteúdo, responda três perguntas no papel ou no bloco de notas:
- Qual é minha opinião real sobre esse assunto? Não o que todo mundo fala, o que eu acho.
- O que eu quero que a pessoa que vai ler isso sinta ou faça? Não genericamente. De forma específica.
- O que só eu posso trazer aqui que a IA não tem como inventar? Uma experiência, uma perspectiva, um dado do meu negócio.
Com isso em mãos, aí você abre a IA e usa ela pra velocidade, estrutura e volume. Não pra substituir o raciocínio.
Aqui no Freesider, quando construímos o AiPost, por exemplo, a premissa nunca foi “a IA posta por você”. Foi “a IA acelera o que você já decidiu comunicar”. Porque sem a decisão humana antes, o conteúdo fica vazio, mesmo que esteja bem escrito.
O que o festival de criatividade mais importante do mundo sinalizou
O Meio & Mensagem capturou bem o ponto de tensão: era pra ser o Cannes da IA. Ficou sendo o Cannes de sempre. O dos sonhadores, como o título da matéria diz.
E eu acho que esse é um sinal importante pra quem constrói negócio online em 2026.
O mercado está saturado de conteúdo produzido em massa por IA sem nenhuma curadoria humana por trás. É fácil de reconhecer: fluente, correto, completamente sem alma.
Quando você aparece com uma opinião real, uma história verdadeira, um posicionamento claro, você fura esse ruído automaticamente. Não porque você é melhor escritor que a máquina. Mas porque você é humano, e humano fala com humano de um jeito que dado nenhum consegue replicar.
Essa é a vantagem competitiva que nenhum prompt resolve.
Minha opinião direta
Eu uso IA todos os dias. No Freesider PRO a gente ensina a usar IA como alavanca de produção, e isso é real. Mas o que o Cannes Lions 2026 confirmou é exatamente o que a gente prega internamente: ferramenta não tem estratégia, não tem posicionamento, não tem coragem de polarizar.
Quem tem coragem de dizer algo que a metade do mercado vai discordar, quem tem clareza do que acredita, quem conhece a dor do seu cliente no nível emocional, essa pessoa vai usar a IA pra voar. Quem não tem isso vai usar a IA pra produzir mediocridade mais rápido.
O debate de criatividade humana vs IA vai continuar. Vai ter painel no Cannes 2027 sobre isso, aposto. Mas o resultado vai ser o mesmo: vai ganhar troféu quem tiver ideia boa. E ideia boa ainda nasce dentro de uma cabeça que pensa, que sente, que tem algo a dizer.
A IA tentou. Cannes ainda é dos sonhadores. E eu fico feliz que seja assim.
Porque se um dia a máquina ganhar o Grand Prix sem nenhuma decisão humana por trás, não vai ser o fim da criatividade. Vai ser o fim do interesse em premiações. E aí o jogo muda de novo, do jeito que sempre mudou: com gente que tem algo real a dizer encontrando um jeito novo de dizer.
A criatividade humana vs IA não é guerra. É escolha. Escolha de quem você quer ser no mercado e o que você quer que as pessoas sintam quando encontram seu conteúdo.
Essa escolha, por enquanto, ainda é sua.
Quer usar IA pra acelerar seu negócio digital?
Eu traduzo tecnologia em aplicação prática todo dia. Se você quer entender como usar essas novidades pra ganhar tempo e escalar seu negócio, vem pro Freesider PRO.